sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Carta do Ano 2070




Olá pessoal, hoje venho trazendo um post um pouco diferente dos meus posts aqui no blog mas uma coisa que me chamou muita atenção e que se encaixa muito nas nossas condições atuais.
Quando se fala em futuro garanto que cada um de nós faz imensas possibilidades de empregos, bens de consumo e nossas cobiças. Mas e se tudo que nós pensamos em construir para o nosso futuro for derrubado por algo que sem querer perceber nos destrói. 
A revista  "Crónicas de los Tiempos" publicou em Abril de 2002 um texto chamado A Carta de 2070 onde o autor descreveu como achava que seria o futuro, essa carta é narrado por um homem de 50 anos que vive nesse ano de 2070. Esse texto foi repercutido há anos atrás e agora com todos esses desastres naturais acontecendo, com a falta de chuvas e o aumento da poluição voltou a se repercutir nos sites e redes sociais. 
Lembrando que a carta é uma narrativa, foi algo escrito por alguém com o seu ponto de vista do futuro, algo como acontece com o gênero Distópico.
Segue texto:

"Ano 2070. Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro... Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, devemos rapar a cabeça para mante-la limpa sem água. Antes, o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje, os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam "CUIDE DA ÁGUA", só que ninguém se importava - pensávamos que a água jamais poderia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não se usam por falta de água. A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a camada de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são as principais fontes de emprego e pagam-nos em água potável os salários. Os assaltos por um copo de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. A pele de uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se também a morfologia dos espermatozoides de muitos indivíduos e como conseqüência há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo cobra-nos pelo ar que respiramos (137m3 por dia por habitante adulto). As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas". Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a base de energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é de 35 anos. Em alguns países existem manchas de vegetação, normalmente perto de um rio, que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se um tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se registra precipitação, é chuva ácida. As estações do ano tem sido severamente alteradas pelos testes atômicos. Advertiam-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente, ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!"


Essa narrativa me tocou profundamente pelo simples fato de, assim como as guerras narradas por todas essas distopias famosas, a falta de água, a degradação do meio ambiente e o desgaste imparável do nosso habitat é algo que nos ronda, que VAI atingir o nosso futuro de uma forma bem mais catastrófica do que nos tempos atuais e é principalmente algo que é única e exclusivamente culpa nossa e que está debaixo de nosso nariz e nós nos negamos a enxergar.
Tudo que está descrito ali, tudo que lemos nas nossas tão amadas distopias é algo que pode se tornar nossa realidade e tudo com o que nos preocupamos é com quão bonitos vamos estar na estréia do filme, ou com os romances das histórias, ou ainda com o quanto parecemos com os personagens principais delas. Eu vos digo o quanto parecemos: 0,0%. Sabe porque? Somos nós os hipócritas controladores ou controlados pelo sistema. Abafamos o real sentido das coisas, deixamos o sistema invadir e tirar de nós a percepção dessas coisas. Perdemos o direito de enxergar o que está em nossas mãos, o que poderíamos mudar com a única atitude de querer.
Será que só nos daremos conta do que estamos fazendo quando precisarmos raspar as cabeças por causa falta de água, será que só nos daremos conta quando a vaidade for derrubada pela necessidade extrema?!






Bom é isso pessoal espero que tenham entendido o que quis falar aqui, e me desculpe se o post ficou grande mas eu precisava comentar sobre isso com vocês.
Até a próxima.

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